segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Procurando um dom

Desde criança, venho tentando descobrir qual o meu dom. Dom, do latin donu: Dádiva, dote natural, talento, habilidade especial para fazer algo.

Minha primeira tentativa foram os desenhos. Não que eu tivesse habilidades artísticas, mas sempre fui muito caprichosa e perfeccionista, e depois de algumas horas observando um mesmo desenho, conseguia reproduzi-lo de forma bem parecida - isso quando, de tanto usar a borracha, não produzia um belo buraco no papel sulfite.

O próximo passo foi tentar reproduzir objetos e paisagens, e foi nesse momento que a arte esfregou em minha face rosada que aquele não era meu dom. Noção de perspectiva e distância não eram meus fortes, e até hoje não são.

A fase dos desenhos passou, então, fui buscar alguma habilidade nos esportes. Mais uma vez, em vão. Nunca fui destaque nos jogos de queimada, vôlei, futebol, basquete ou qualquer outra coisa do gênero, e sendo sincera, devo afirmar que nem gostava daquilo.

No alto dos 13 anos, descobri o tênis de mesa, realmente comecei a gostar daquele novo esporte. Treinei, treinei, treinei incansavelmente, mas não adiantava, por mais que eu treinasse, meus primos sempre jogariam melhor do que eu. Mais uma vez, não era meu dom.

E claro, no meio disso tudo, tive uma passagem pelo mundo dos videogames. Não preciso mencionar que nunca consegui tirar a pobre princesa do Mario Bros do calabouço.

Há poucos anos, com o advento dos videokes, descobri como é gostoso e extasiante cantar. Desejei com todas as forças ter uma boa voz para o canto fosse meu dom, inutilmente.

Por fim, sempre achei fantástico e invejei pessoas que tem o dom com as palavras, e assim como das outras vezes, desejei profundamente tê-lo. Mas novamente, constatei que esse não é meu dom. As palavras não fluem tão facilmente quanto eu gostaria, não tocam tão profundamente quanto eu almejo e nem sempre execram tudo que quero dizer.

Mas sempre fiz tudo com muita dedicação, paixão e perseverança, e se nunca fui a melhor em nada, posso afirmar que nunca estive perto de ser a pior.

Confesso que, se um dom ainda não encontrei, paixões pelo caminho encontrei muitas. Por isso continuo desenhando, cantando e escrevendo.

Vai ver esse é meu dom, encontrar paixões.




Retrato da infância de Anália Maia feito por mim, hahahahaha.

6 comentários:

MELISSA S disse...

Com certeza!!! Quem disse que a gente só pode se apaixonar perdidamente por uma coisa nessa vida, Bel? Que venham muito mais paixões na tua vida! Bjs

Anália disse...

Poxa, vc expôs meu passado negro!

=/


AUHUAUHUAUAUUHAHUA

Sames disse...

MiraBEL vc já tentou o dom da cura? Poucos conseguem repetir esse ato no mundo. :)

Sabe, eu acho que vc escreve bem demais, isso pode ser um dos seus pequenos dons. Consigo me divertir lendo suas histórias e pelo contrário que vc disse, consigo me emocionar lendo-os.

Quanto ao desenho, fiquei com dúvidas. Nunca fui bom para entender a arte moderna.

Bjos e boa noite.

Deja disse...

Também procuro meu dom... Já me senti bom em muitas coisas, em esportes (goleiro, karateca), o que mais me deu prazer foi o reconhecimento no trabalho... Ser o predileto dos clientes, do patrão... mas ser bom ou não é tão relativo, não me comparo com os outros, apenas busco ter satisfação, paixão... e amor (isso ficou piegas), continuando... paixões foram muitas, amor, ainda nenhum.

[]'s


Ps, você escreve muito bem, mas seu desenho é horrível. ;)

Bel disse...

Deja, quando se trata de uma competição (como jogos de tênis de mesa) é impossível não se comparar ao outro. Pelo menos pra mim, que sou uma pessoa mundana...!

Deja disse...

Bel, sempre vai ter alguém melhor que a gente.

Eu me considero bom em tênis de mesa, mas existe quem seja melhor que eu. Mesmo com a morte do Cláudio Kano.

Em relação ao meu trabalho, também tenho consciência que sou bom no que faço, mas não sei de tudo, alguém vai saber mais que eu em algo, ou mesmo algo a mais sobre o que eu domino, nem por isso deixarei de sentir que sou bom.